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Nas últimas semanas, algumas cidades do Brasil foram palco de enérgicos protestos contra o aumento da passagem de ônibus. Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Maceió, Manaus são algumas das cidades que aderiram ao protesto. A questão é: com que sentimento você encara esses acontecimentos? É fato que qualquer tipo de posicionamento que tenhamos quanto ao ocorrido não será sentimento da maioria, pois realmente os fatos vêm dividindo opiniões. Vou levantar diversas e aleatórias questões para reflexões gerais.

De uma forma geral não sei qual a justificativa exata para tantos aumentos nas passagens de ônibus e com espaços tão curtos de tempo, mas a grande verdade é que na prática a população sempre vai considerar esses aumentos como algo abusivo e desrespeitoso com os cidadãos, principalmente por vermos, atualmente, uma mobilização política focada em solucionar questões relativas ao conforto de turistas de toda parte do mundo que estarão em nosso país para os grandes eventos que teremos nos próximos anos. Só em 2013 teremos: Copa das Confederações, visita do Papa e Rock In Rio.

Quando vejo chamadas na TV dos confrontos entre, em sua maioria, jovens e policiais, me preocupo com a real eficácia desses manifestos. Falando especificamente do Rio de Janeiro, onde resido, os confrontos vêm deixando marcas que certamente não deveriam ser consequências dos objetivos principais. No Centro do Rio diversos prédios históricos foram pichados, bancos e pontos de ônibus quebrados e muita sujeira foi deixada ao longo do trajeto feito pelos manifestantes. Esse “formato” de protesto vem se replicado na maioria das demais cidades e não tem se mostrado muito eficaz, tendo em vista que as autoridades já declararam que não voltarão atrás da decisão quanto ao aumento. Não sou usuário de ônibus, mas já fui por longa data, por isso não é difícil entender a indignação da população. Como cidadão o que mais me intriga (irrita) é que visivelmente nosso governo pode mudar a realidade do nosso país em diversos sentidos, mas não o faz sem que haja um interesse de benefício maior do que o de favorecer a população. Na minha ótica isso ficou bem claro anos atrás quando recebemos os jogos Panamericanos. Vivíamos um período onde o Rio de Janeiro era capital das balas perdidas, não existiam UPPs e havia uma certa, mas coerente, descrença quanto ao poder de segurança pública durante os jogos.Prestes a completar 30 anos, não me lembro de outra ocasião onde tenha me sentido tão seguro ao andar pela cidade. Existia policia em cada via, o sentimento de segurança era contínuo e só foi interrompido com o término dos jogos. Com esse contexto que penso: Se eles podem fazer, por que não fazem? Não me iludo imaginando um Brasil sem corrupção,cheguei a um ponto onde acredito que se qualquer governo fizer unicamente o básico, já basta.

Enfim, é muita coisa pra pensar, tarifas caras, serviços péssimos, bilhões em obras pro esporte, hospitais decadentes, sem falar em seca, corrupção, etc. As más línguas dizem que o Brasil será um dos poucos países que, após um evento do porte de Copa do Mundo, não terá um legado digno a ser deixado pra sua população. Assistindo à TV e vendo alguns relatos na internet até me senti na obrigação de participar de uma manifestação, mas acho que ainda falta direcionamento e organização a esse grupo, sendo assim me divido entre o sentimento de conformismo natural do brasileiro ou me sujeito a participar de guerras urbanas com ideais desfocados.

 

Como falei lá no início, são apenas algumas questões para reflexões gerais que reforço com algumas imagens coletadas nesses últimos dias.

 

Por: Thiago Baptista