949O sonho de ser mãe nunca foi exatamente o meu grande sonho. Mas aos 31 anos tudo mudou!
Eu lidei durante a maior parte da minha vida com a obesidade e quando se é obeso mórbido, carregar uma criança no ventre não é exatamente a coisa mais saudável que se pode acontecer, com a mulher e com a criança. Eu não almejava isso. Era algo tão distante que me defendi dessa ideia de todas as maneiras possíveis. Chegava a implicar com as amigas que insistiam em ter filhos. Achava uma superpopulação desnecessária. Eu era bem amarguinha, confesso.

Até que perdi mais de 60kg após uma cirurgia bariátrica, reeducação alimentar e muita atividade física. Me senti diferente, me senti, talvez pela primeira vez na vida, mulher de verdade, empoderada. Eu podia fazer qualquer coisa comigo mesma, com o meu corpo. Poderia comprar uma calça jeans no shopping, cortar meu cabelo curto ou até mesmo ter um bebê!

Passei a me preparar para isso. Sabia que o ideal seria engravidar somente dois anos após a cirurgia bariátrica. Mas eu não queria esperar nem mais um dia. Eu queria ser essa mulher completa, ser mãe, carregar meu filho por aí. Passear com ele pelo parque, correr na praia. Não queria esperar muito. Não esperei.
Fazendo exames regularmente, eu sabia que minha saúde estava excelente. Todas as taxas completamente normais, hormônios idem. Meu corpo estava completamente preparado para carregar um bebê. Comecei a fazer tabelinhas, controlar período fértil, dia de ovulação. Usei um aplicativo excelente para celular chamado Womanlog, indico muito, e fiz o que precisava ser feito. Eu e o meu parceiro estávamos empolgados com o fato de ter um bebê, então seguimos as datas à risca.
Achei que fosse demorar um pouco, alguns meses, quem sabe, até que desse certo. Mas eu queria tanto que aconteceu muito mais rápido do que eu imaginava. Dois meses após começar a tentar. Um ano após a bariátrica eu estava grávida.
Descobri a gravidez com quatro semanas. A ansiedade era tanta que no primeiro teste de farmácia eu quase inventei a segunda linha. De tão clara que era pensei que fosse imaginária. No exame de sangue do dia seguinte deu negativo. Mas eu sabia, eu sentia…e uma semana depois, a segunda linha era tão forte e o exame de sangue era tão positivo que a alegria já tomava conta da gente.
E aí começaram as minhas preocupações. Um ano após a bariátrica…um ano! Eu ainda estava perdendo peso. Será que iria engordar de novo? Será que meu bebê ficaria saudável? Será que as minhas taxas iriam continuar controladas? Será? Será? Quantos medos e quantas dúvidas. Corri pra encontrar uma obstetra. Precisava fazer tudo correndo, não podia perder tempo, queria cuidar da gente da melhor maneira possível.
Na primeira ultra só vimos saco gestacional. Mas já soube como seria dali pra frente. Minha gravidez não é de risco. Uma gravidez como outra qualquer, mas que precisa de alguns cuidados especiais. Como por exemplo exames de sangue com mais frequência, ultrassonografias mais regulares e uma alimentação um pouco mais balanceada. Eu como muito pouco, então, teria que adaptar esse pouco ao maior número de nutrientes possíveis. Beber muita água, o que é quase impossível para um bariátrico, e ser feliz.
Faço um batalhão de exames de sangue a cada mês e meio, dois meses. Batalhão mesmo, mais de 54 tipos de exames diferentes. Ultrassonografias faço mensalmente, às vezes a cada 20 dias, o que é ótimo, afinal, posso ver minha bebezinha, sim, é uma menina, com mais frequência.
Até aqui está tudo bem. Já estou na metade da gravidez e sigo saudável. Engordei pouco mais de 2kg e minha bebê está se desenvolvendo normalmente.
Não tenho restrição alguma com nada e tudo indica que posso ter um parto normal e tranquilo, como qualquer mulher não operada.
Ainda não sei como será meu parto. Estamos num impasse com equipe médica, plano de saúde e bons hospitais. Mas em breve terei uma definição.
Por agora, a maior preocupação da minha vida é com a cor do quarto da minha filha, a Helena. Não consigo decidir entre cinza e rosa ou um neutro, talvez palha. Não sei a decoração que farei e tá muito impossível escolher um Kit Berço que seja tão lindo como eu gostaria que fosse.
Ter uma gravidez saudável após a obesidade foi o que mais desejei para mim. E está acontecendo. É possível e faz muito bem!