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Conversando com uma amiga, ouvi a frase que mais me marcou na gravidez, até agora. Eu estava desabafando sobre a minha situação emocional e ela me disse que, quando estava grávida, leu que “a gravidez é solitária”. Eu fiquei refletindo muito sobre isso desde então. E, definitivamente, a solidão acompanha a grávida, diariamente.

Por mais que você tenha um parceiro presente, ele nunca entenderá o que você está sentindo. Ele não consegue captar a sua sensação, por mais que explique nos mínimos detalhes. As nossas sensações são muito íntimas. Nunca falar de sentimentos foi tão difícil, quanto nesse período.

Tem um pouco de tudo. Tem amor. Tem medo. Tem angústia. Tem alegria. Tem animação. Tem desespero. Tem dor. Tudo ao mesmo tempo. Explicar que são os hormônios é muito simples. Não é só isso. É além, é a mudança total de vida. É uma responsabilidade de carregar um bebê. E depois de cuidar de um bebê. E depois de educar uma criança…e por aí vai.

Eu ando me sentindo muito sozinha. Ando me sentindo no meio de um silêncio ensurdecedor. Tem sido uma alegria imensa gerar a Helena, mas eu nem mesmo consigo explicar o tamanho dessa alegria, então me calo. A sensação de solidão é tão forte, que às vezes estou super ocupada, mas me ponho em repouso só para sentir a minha bebê mexer e assim, perceber que eu não estou sozinha e sim, acompanhada do maior amor do mundo. E o maior amor do mundo é como o maior silêncio do mundo. Amor paralisa. Amor cala mesmo. Quem explica o amor, afinal? É sem palavras. É um eco e um sorriso.

Esperar que entendam isso é em vão. Esperar que compreendam as minhas necessidades, também. Eu desisti de explicar e pedir.

Agora somos só eu e ela, no nosso amor em silêncio. Na nossa solidão acompanhada. Enquanto ela não vem, eu sinto seus sinais, tenho longas conversas sem resposta, mentalizo os primeiros dias, os primeiros anos e a vida inteira. Sonho com seus detalhes, o cabelo, o nariz, a cor. Espero, espero e espero. Tudo no mais profundo silêncio e na mais deliciosa solidão.