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Cesárea? Sim, obrigada! Não era nem de longe dessa forma que eu pretendia começar meu relato sobre meu parto. Na verdade, em todas as vezes que pensei em escrever sobre ele, ainda grávida, a frase que não saia da minha cabeça pra começar era: “eu venci o sistema!”…

Era 4h de domingo de carnaval quando senti minha primeira contração. Ela vinha a cada dez minutos. Aproveitei o intervalo pra fazer tudo que ainda não tinha feito… Pequenos detalhes! Queria que o Theo chegasse com tudo perfeito.

As 7:10 a Cátia Carvalho, a doula que contratamos pra acompanhar a gente no parto, chegou lá em casa… Eu estava com 40 semanas + 2 dias e sem obstetra. A minha então obstetra havia falado, até a penúltima consulta, que me esperaria pra ter o normal, mas na última consulta, dois dias antes de completar as 40 semanas, ela disse que não esperaria além das 40 (sexta feira de carnaval) porque o bebê estaria correndo risco de pós maturidade… Repito: com quarenta semanas.

No dia que completamos as 40 semanas, dia 13/2, mandei um whatsaap informando que havíamos decidido esperar e perguntando se mesmo com essa decisão e sabendo que ela não faria nosso parto, porque não estava de acordo, se eu continuaria fazendo meu acompanhamento com ela até o meu filho nascer ou se meu acompanhamento também acabava. Pra minha surpresa a resposta foi que não poderia acompanhar, porque senão estaria sendo conivente com minha decisão equivocada de continuar com minha gestação. A partir desse momento estávamos sem médico e sem acompanhamento e já tínhamos decidido que iríamos pro Maria Amélia, mesmo correndo risco do Theo chegar em pleno carnaval. Pra quem não conhece, o Maria Amélia fica bem ao lado do sambódromo. E não deu outra: ele resolveu chegar em meio à folia.

Por volta das 15h do domingo saímos de casa. As contrações tinham ganhado um ritmo bom e estávamos com medo de esperar mais e não conseguir passar na Presidente Vargas por conta dos desfiles. Cheguei no hospital com um ritmo de contração tão grande e tão forte que a médica que me avaliou disse que poderíamos estar com 8cm. Quando ela fez o exame eu estava com 4cm. Gente, NÃO EXISTE informação que te deixe mais desesperada que essa. Você já tá urrando de dor, achando que tá quase no limite e descobre que ainda não tá nem na metade. Pra nossa triste surpresa, eu tava com um sangramento além do normal e com contrações em ritmos (na verdade sem ritmos) acelerados. Ela me disse: não vou ainda te encaminhar pra cesárea, mas existe essa chance. E completou: sei o quanto é frustrante chegar aqui com Doula e ouvir isso mas a prioridade é seu bem estar e do bebê. Vamos pedir um exame pra saber como estão os batimentos do bebê e dependendo do resultado vamos usar ocitocina ou anestesia pra tentar ritmar essas contrações.

Subimos, a Cátia me colocou embaixo do chuveiro (que alívio) e começamos o tal exame. Meu sangramento não diminuía e a dor que eu sentia era uma pressão tão grande que parecia que o bebê estava a ponto de sair. Avisei a Cátia e antes de fazermos novamente o exame de toque ela comentou: será que evoluímos tão rápido? Vamos ao exame de toque. 4cm. Não tinha evoluído NADA! Só as dores aumentavam. O sangue não parava… E a Catia falou: Bia, já chega! Não vamos mais aguardar. As minhas contrações já não tinham mais intervalo e eu não tava suportando… (E meu sangue não parava – essa parte eu soube depois).

Meu marido ficou o tempo inteiro do meu lado junto com a Catia e a nossa última conversa em trabalho de parto foi que já não tinha mais porque ficar esperando. Precisávamos fazer uma cesárea. O exame com os batimentos do Theo não tinham dado 100% e por conta disso não poderíamos tentar anestesia ou ocitocina. Em menos de 10 minutos eu já estava anestesiada no centro cirúrgico e meu maior medo era de alguma coisa dar errada. Passam mil coisas pela nossa cabeça. Cheguei a pensar se eu tinha feito a escolha certa. Por conta de dois dias eu tava tendo que fazer uma cesárea de urgência e alto risco. (Quando a médica me perguntou no centro cirúrgico se minha gestação era de alto risco eu falei: agora não sei, mas até então era de baixo. E ela respondeu: quero saber antes. Agora é de alto…). É desesperador pensar que pode acontecer qualquer coisa. Mas graças a Deus passamos por um caso onde o avanço da medicina não foi usado em vão e trouxe o Theo em segurança pro nosso braço. Só quando chegamos me casa o Thiago (meu marido) me contou que por várias vezes teve vontade de chorar me vendo sangrar tanto. Mas como ele foi forte. Como me deu apoio. Desde o início, por ele, não teria problema em fazer cesárea. Mas eu queria muito tentar o parto normal e ele, por respeito à minha decisão, me acompanhou até o último momento. Eu não teria conseguido chegar àquele ponto sem ele. E com certeza sem o apoio e as orações da família que aguardava lá embaixo… Mae, pai, sogra e tia…Quanta gente do nosso lado torcendo e rezando.

No final da cesárea a médica me disse que eu tive 20% de descolamento de placenta. Eu até hoje não quis saber muito sobre isso e sobre o que poderia ter acontecido se o quadro se agravasse. Só soube que se demorasse mais o Theo teria que ir pra CTI. E isso bastou pra que eu não quisesse buscar mais informação. Na verdade quis esquecer que precisei, depois de 14 horas de Trabalho de Parto, fazer uma cesariana.

E pra quem diz que a recuperação da cesárea é tranquila, na boa, vocês são muito fortes. A minha recuperação foi péssima. Uma enxaqueca sem fim. As vezes eu não conseguia nem olhar pro meu filho enquanto amamentava porque não conseguia mexer o pescoço. Se eu falar que quando acabou a cesárea eu não pensei em nunca mais ter PN eu to mentindo. A única coisa que eu pensava era: eu não quero parto normal nunca mais na vida. Mas acho que ainda tava sob o efeito da dor e da frustração. Cinco dias depois do parto, eu já sei que no próximo nós vamos tentar de novo e se Deus quiser o final vai ser bem diferente desse.

Theo nasceu no dia 15/2 às 18:06 com 54cm e 3.900kg. Um meninão. Bonzinho toda vida! Chegou ao mundo sendo arrancadinho da minha barriga à força, sendo aspirado e não ficando no meu braço até seu cordão parar de pulsar ou pelo menos recebendo meus 3 minutinhos de amor, como a gente tinha sonhado. Foi direto pros exames, medição, limpeza etc e só depois veio pro nosso braço. Nosso braço não, porque depois da cesárea não da pra pegar ele no colo. Mas hoje nada disso faz diferença. O que importa hoje é que eu lutei até o fim. Eu abandonei a médica com 40 semanas porque queria tentar um parto humanizado. E eu posso dizer que consegui, porque como disse a doula: um parto humanizado é aquele onde mãe e bebê ficam bem, nem que pra isso seja necessária uma cesárea. No final eu não tive escolha, mas foi a melhor falta de escolha da minha vida. E eu posso até não começar esse relato com essa frase, mas eu com certeza posso finalizar… EU VENCI O SISTEMA!